Depois de mais de 15 anos de
intensas lutas judiciais, finalmente, a rede Record foi condenada a produzir e a
transmitir quatro programas sobre as religiões afro-brasileiras, especialmente,
Candomblé e Umbanda.
Quem me acompanha sabe que não
enquadro a Umbanda entre as religiões afro-brasileiras, porém, isso não importa
agora. O que importa é que, a programação religiosa da Record, durante muitos
anos, demonizou as entidades que comumente se manifestam nos terreiros de
Umbanda e, por esta razão, a condenação é muito bem-vinda!
Lembro-me muito bem quantas
vezes vi, enquanto passava os canais da televisão, pessoas
supostamente incorporadas com exus, pretos-velhos, pombagiras, caboclos, etc.,
e que, a mando do pastor, se diziam “Tranca Rua”, “Maria Navalha”, “Pai Joaquim”,
falando que estavam ali para destruir a vida da pessoa por ela ter procurado
um terreiro, etc.
Se você estiver na casa dos
trinta, creio que se lembrará também!
Quando saiu a notícia da
condenação, no começo do ano, confesso que não acreditei que se cumpriria de
fato. Imaginei que alguém, em algum lugar, simplesmente engavetaria a ação e
tudo morreria sem de fato se concretizar...
Para minha surpresa o direito
de resposta finalmente saiu no dia 09/07, às 02:30 da manhã, pela Record News,
não pela Rede Record que todos conhecem...
Você não imaginou que eles
iriam dar espaço em horário nobre em seu principal canal, imaginou?
Nas redes sociais, muita gente
reclamou do horário, da duração do programa (20min) e até mesmo do conteúdo
(confesso, eu também esperava mais...), porém, não podemos deixar que isso
apague o brilho que essa vitória representa na luta contra a intolerância religiosa!
Esta ação certamente deixará
todas as demais emissoras com a “orelha em pé” e, a partir de agora, os
veículos de imprensa ligados a estes seguimentos terão muito mais cuidado ao
produzir conteúdo sobre outras religiões, pois a liberdade de expressão não
pode ser usada como desculpa para atacar, ofender e difamar.
Cabe lembrar, porém, que mesmo
com toda essa manobra para minimizar os efeitos da condenação (como não constar
na grade de programação do canal), temos um valioso recurso a nosso favor: a
internet. Existem alguns canais no Youtube e páginas no Facebook que já disponibilizaram
o primeiro vídeo e a grade de horários.
Desta forma, penso que temos o
dever moral de fazer coro a estas vozes, compartilhando e espalhando estes
vídeos por todas as nossas redes, em agradecimento às pessoas que encabeçaram este movimento e para que mais pessoas tenham acesso a estes
conteúdos e, assim, possamos não apenas dar um recado a estes
fundamentalistas, mas contribuir para que haja maior conhecimento da religião
e, por consequência, menos temor e receios em relação as nossas práticas que
não falam, senão, de amor e caridade para todos, independentemente de religião.
Por esta razão, façamos bom
uso da internet, espalhando estes vídeos até onde o vento soprar...
Leonardo Montes
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