![]() |
| Imagem do google |
O termo falange, aplicado à
Umbanda, foi tomado das expressões militares da Grécia Antiga, para designar um
corpo de soldados que se posicionavam muito próximos uns dos outros, protegidos
por escudos e armados com lanças.
O termo evoca a ideia de uma
formação forte, compacta, unida, apta ao combate e por isso foi empregada pelos
espíritos para representar as organizações espirituais que comumente atuam nos
terreiros.
Lembremos, como já estudado,
que a Umbanda surgiu num contexto de extrema aridez espiritual, em que trabalhos
negativos imperavam.
Para fazer frente a essas
forças negativas é que a religião se formou.
Falanges
Os espíritos que atuam na
Umbanda se organizam em grupos frequentemente chamados de falanges. Cada
falange, portanto, faz referência a um grupo de espíritos que pode ter milhares
de membros.
As falanges geralmente se
organizam usando o nome do seu fundador. Mas, podem também se organizar por um
local comum de origem, fazendo referência a uma tribo, a um povo, a um seguimento
de atuação espiritual, etc.
Exemplo: Caboclo 7 Flechas.
Em algum momento, houve uma
entidade que usou o nome simbólico (nome de falangeiro) de Caboclo 7 Flechas.
Esta entidade (a primeira que usou este nome), sendo um espírito muito
evoluído, obteve permissão da Espiritualidade Superior para criar todo um
“exército” de trabalhadores espirituais que passaram a fazer parte da sua
falange, isto é, integraram a sua “equipe espiritual”.
Como é tradicional nestes
processos, o nome que o espírito possuiu em sua última encarnação perde
importância, pois ao fazer parte da falange do Caboclo 7 Flechas, ele passa a
ser, também, “um 7 flechas”, isto é, deixa seu nome de lado para usar o nome da
sua falange.
Portanto, não existe apenas um
único Caboclo 7 Flechas, mas milhares deles, espíritos diferentes, que foram
unidos nesta falange por critério de sintonia e afinidade, a fim de realizarem
um trabalho em comum, mas nem por isso perdem a sua individualidade.
A primeira vez que conversei
com os espíritos sobre este assunto foi com a Vó Cambinda, que me explicou o
seguinte:
Ela havia sido escrava no
Brasil, desencarnando em 1831, numa fazenda de café do interior de São Paulo. Do
lado de lá, foi recebida por uma escrava chamada “Cambinda” que a acolheu e orientou
os seus primeiros passos no plano espiritual.
Conforme se ambientou a este
novo mundo, tendo feito um longo aprendizado, terminou por se integrar às
falanges de “Cambinda”, passando ela mesma a ser mais uma “Vó Cambinda”,
trabalhando em prol do bem e da caridade.
É muito comum os novatos se
assustarem com essas informações, pois a maioria acha que existe apenas um “Pai
Joaquim” ou um “Tranca Ruas”, quando na verdade existem milhares deles, com
personalidades tão diferentes entre si como os médiuns de um terreiro são uns dos
outros.
Assim, é totalmente inútil a
pesquisa na internet sobre a história ou mesmo o jeito de trabalhar de uma
entidade. Cada entidade é única e o fato de usar um nome de falangeiro comum a
outro guia não quer dizer que necessariamente tenha a mesma história ou aja do
mesmo modo.
Pressupor isso, seria o mesmo
que admitir que todo “Leonardo”, por compartilhar um mesmo nome, devesse agir
igual. Seria absurdo, não é? O mesmo se dá com as entidades: cada uma é única,
tem um jeito próprio, atua de uma maneira, risca seu próprio ponto e embora use
um nome em comum, nem por isso deixa de ser quem é, apenas atua dentro de um
determinado grupo, sob uma determinada bandeira, isso é ser um falangeiro.
Aliás, o uso de um “nome de
falangeiro” se dá, também, como mecanismo contra a vaidade e ao excessivo apego
ao próprio nome. Quantas famílias não existem por aí que ostentam um nome
conhecido como se isso lhes conferisse algum prestígio extra? Tola vaidade que
o tempo há de apagar...
Existem incontáveis
falanges de caboclos, pretos-velhos, crianças, exus, etc.
Exemplos
Seguem alguns exemplos de nomes de falangeiros:
Pretos-Velhos: Pai João, Pai
Joaquim, Mãe Maria, Vó Joaquina, Tia Joana, etc.
Caboclos: Mata Virgem, Mata
Verde, Arranca-Toco, Sol e Lua, etc.
Crianças: Juquinha, Pedrinho,
Mariazinha, Joãozinho, Joaninha, etc.
Baianos: Zé do Coco, do Morro,
da Praia, da Bahia, etc.
Ciganos: Wlado, Wladimir,
Iago, Sulamita, etc
Exus: Tranca-Rua, Marabô,
Tiriri, do Lodo, etc.
Pombagiras: Rosa Vermelha, Rosa
Negra, da Estrada, do Embaré, etc.
E assim, sucessivamente.
Razão do nome
A melhor forma de entender a
razão pela qual uma entidade se apresenta com um determinado nome é perguntando
diretamente a ela. Embora existam alguns autores que tentam codificar,
especificar e mesmo dizer o que uma entidade pertencente a esta ou aquela falange
pode fazer, o fato é que estas tabulações são todas imprecisas e quase sempre
pecam pelo exclusivismo.
É preciso reconhecer que nosso
conhecimento sobre as organizações espirituais está ainda engatinhando, por esta razão, não oferecerei a vocês nenhum resumo sobre isso, mas deixarei uma
sugestão: converse com as entidades, pergunte por que ela usa este nome, o que
ele significa, como é a sua falange, por que faz parte desta e não de outra,
etc.
Atualidade
Creio fortemente que este
sistema foi pensado pelas entidades, primeiro, para favorecer o desapego ao
próprio nome e quaisquer títulos que pudessem vir com ele e, em segundo lugar,
como meio de simplificar as relações das entidades para conosco.
É comum nas fileiras espíritas
um espírito se apresentar como Dr. Frederico, por exemplo. Logo em seguida, as
pessoas ardendo em curiosidade vão atrás de informações sobre este personagem
no intento de localizá-lo na história, o que é quase sempre inútil, já que boa
parte da humanidade não deixam registros que possam ser acessados por outros...
Assim, para evitar essa
curiosidade malsã, as entidades evitam, frequentemente, apontamentos sobre o
passado que possam sugerir onde tenham vivido, o que tenham feito, etc., para
que ninguém vá atrás daquilo que hoje é apenas poeira e lembranças.
Porém, também creio que os
devaneios de vários autores, inventando sistemas do nada (e diferentes entre si),
acabou criando uma confusão tão grande neste assunto que as próprias entidades
estão adotando um nome de falangeiro “mais simples”.
Percebo que cada vez mais, as
entidades se apresentam apenas com “um só nome de falangeiro”. Por exemplo, o
primeiro caboclo que eu incorporei se dizia: Caboclo Uirapuru. Apenas isso.
Nada de: Uirapuru da Mata ou coisa equivalente. Não que não houvesse alguma
outra designação, mas ele simplesmente nunca disse nada mais e parecia não dar
importância alguma a isso.
Já soube de casas onde as
entidades não se identificam, sendo reconhecidas apenas por seus gestos característicos
de bondade e caridade, mas sem usarem um nome em específico.
Se assim será no futuro para
todos, veremos.
Até a próxima aula!
Leonardo Montes

Deixe um comentário
Postar um comentário