Congá, Gonga ou simplesmente altar, é o nome dado àquela
região do terreiro onde estão fixadas as imagens de Santos, Orixás, Guias,
etc., e onde também encontramos outros elementos como velas, pedras, flores,
etc.
Veja o Congá da nossa casa:
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| Congá da Casa de Umbanda União decorado para homenagem à Ogum. |
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| Congá da Casa de Umbanda União |
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| Vista ampliada do Congá |
Não há uma maneira certa ou errada na disposição das
imagens, pois em essência, elas atendem apenas ao gosto e interesse das pessoas
presentes. Também não há número mínimo ou máximo de imagens ou esta ou
aquela colocação adequada das mesmas: tudo dependerá do gosto dos responsáveis.
Assim, seja grande ou pequeno, com muitas ou poucas
imagens, todo terreiro de Umbanda tem um Congá.
Imagens
Muitas pessoas estranham quando visitam um terreiro pela
primeira vez e encontram imagens católicas no mesmo. Já tivemos ocasião de
estudar as razões disso no capítulo sobre o sincretismo.
Contudo, outro espanto frequente leva os “marinheiros de
primeira viagem” a imaginar que adoramos imagens. Sempre digo isso
no terreiro: não adoramos imagens, sabemos que são apenas figuras de gesso
ou resina. O que importa é o símbolo, o que a imagem representa, o que ela
evoca em quem a contempla.
Uma pessoa devota de São Jorge, por exemplo, ao olhar para
a imagem (cuja representação está no imaginário popular há muito tempo),
imediatamente sente-se tocada pela força do símbolo do guerreiro seja qual for o nome
pelo qual o chame (Jorge ou Ogum), conseguindo orar com mais fervor.
Santos x Orixás
Certa feita, uma pessoa me disse:
- Se eu fosse um Orixá, com certeza ficaria triste em ver
uma imagem católica me representando num altar.
Mas, será?
Na verdade, os Orixás não ligam para isso.
Esse tipo de pensamento é próprio do ser humano,
especialmente, dos apegados à forma, dos que dão mais importância ao rótulo do
que ao conteúdo da garrafa.
Questões assim, frequentemente, geram intermináveis e
inúteis discussões, razão pela qual costumo resumir a solução da seguinte
forma: se você acha melhor um altar com imagens católicas, use-as; se acha
melhor um com “imagens africanas”, use-as; se acha melhor com ambas, use-as;
enfim, faça do jeito que mais te agrada e aprenda a respeitar as escolhas
alheias.
As entidades sempre me ensinaram que a única imagem
essencial é a de Jesus (Oxalá), as demais são todas opcionais.
Lembre-se: o que mais importa é a fé!
Fé
Um altar sempre estimula a fé. Mesmo que a pessoa não tenha
vivência religiosa, ao se deparar com um, o primeiro impulso, quase sempre, é
de respeito.
Assim, os altares nos terreiros tem por efeito induzir as
pessoas presentes a se desligarem do mundo lá fora e a se voltarem para o mundo
religioso, para que pensem no que desejam da espiritualidade, estimulando-as a
orar, a se sintonizarem com os objetivos espirituais da atividade que será
realizada no terreiro.
Conforme recebe as vibrações dos consulentes, o altar se
converte, espiritualmente, num foco irradiador de luz e paz, sendo
frequentemente um ponto de intensa vibração espiritual.
Elementos
Nos altares, além das imagens, também é comum encontrarmos
diversos outros elementos, como pedras, cristais, flores, folhas, água, etc.
Cada um dos elementos é colocado ao lado das imagens como
parte da construção do símbolo que se deseja representar, por exemplo:
Na imagem de Xangô, costuma-se colocar também uma pedra
(símbolo de Xangô); na de Iemanjá, costuma-se colocar conchas do mar; Na imagem
de Cosme e Damião, costuma-se colocar balas; Na imagem de um preto-velho, uma
xícara de café, etc.
Estes elementos
fazem parte da representação de cada Orixá/Guia e estão presentes em vários
altares, mas não são essencialmente obrigatórios.
É comum também os altares serem enfeitados com flores, como
um ato simbólico à fala do C7E em sua primeira manifestação, quando disse: aqui
falta uma flor!. Ao colocar algumas flores no altar, é como se o terreiro
dissesse: aqui não faltam flores...
Velas
Item comum a todos os altares de terreiro, as velas
representam, ao mesmo tempo, a luz divina (pela chama do fogo) e o próprio
elemento fogo, frequentemente usado pelas entidades para limpeza e descarrego.
Existem casas que utilizam apenas uma vela no altar
enquanto outras utilizam uma para cada imagem. Aqui também não há nenhuma
regra.
Saudação
Os membros da corrente (médiuns ou cambones), tão logo
entram no terreiro, devem se posicionar em frente ao Congá para fazer suas
orações e agradecimentos, é um procedimento de preparação mental e adequação ao
trabalho espiritual.
Altar pessoal
Todas as pessoas podem ter um altar pessoal,
independentemente de trabalharem ou não em um terreiro. Este altar deve tender
sempre à simplicidade e deve ser feito em um local neutro na casa (não é recomendável montar um altar em um quarto, por exemplo, que é um local íntimo).
Este é o altar da minha casa:
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| Altar da minha casa |
Porém, nem sempre foi assim.
Ele começou simples, com apenas uma imagem e gradativamente
foi crescendo. Demorou três anos para chegar neste ponto, razão pela qual
sugiro que você não tenha pressa. Crie seu altar do jeito que você quiser, da
forma que mais fale ao seu coração (e se não quiser, não tem problema).
No altar pessoal (altar de casa), podem ir as mesmas
imagens e elementos de um altar semelhante ao de qualquer terreiro, exceto
imagens da esquerda (este será assunto para um outro capítulo).
Um altar em casa é um estimulo constante a fé e a oração. É onde as pessoas se posicionam para fazer suas preces e seus agradecimentos, portanto, será um ponto de luz em sua casa.
Até a próxima aula!
Leonardo Montes




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